Tuesday, November 04, 2008

Prémio DARDOS


É com muito orgulho que o blogue Cidade Romana de Balsa regista ter sido nomeado com o Prémio DARDOS, pela Confraria da Alfarroba (http://confrariadaalfarroba.blogspot.com/).


Bem-haja a Confraria!

Tuesday, October 07, 2008

BALSA - Informação na net

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Thursday, January 18, 2007

História de Balsa - 1

A Cidade
Balsa foi uma importante cidade romana, que existiu na freguesia de Luz (concelho de Tavira, distrito de Faro), nos terrenos litorais hoje designados por Torre d’Aires, Antas e Arroio, tendo Pedras d’El-Rei, Luz, Rato e Pinheiro como subúrbios.
É citada nas listas de cidades do Império Romano (por Pompónio Mela e Plínio-o-Velho, no séc. I d. C. e por Ptolomeu, no séc. II), posteriormente como etapa de um dos Itinerários de Antonino (roteiro de estradas e rotas navais do séc. III) e, já após o fim do Império do Ocidente, na Cosmografia do Anónimo de Ravena (séc. VII, mas baseada em documentos muito mais antigos).

A história urbana de Balsa romana inicia-se no séc. I a. C. e termina no séc. V ou VI da nossa era. Teve o seu apogeu urbanístico no século II, chegando a ocupar uma área de cerca de 45 hectares (ha), excluindo subúrbios e necrópoles.
Era assim uma cidade de considerável dimensão no Império Romano, muito acima da média urbana da província da Lusitânia, a que pertencia.
Destacava-se relativamente a Olisipo (Lisboa), Ossonoba (Faro) e Conimbriga (Condeixa-a-Velha, Coimbra), então respectivamente com 29, 28 e 23 ha, e era oito vezes maior do que os 5.5 ha da zona amuralhada de Tavira medieval!

Cidade portuária litoral, sede de civitas, isto é, de uma autonomia municipal, que abrangia todo o Algarve Oriental entre Bias e o Guadiana, cunhou moeda própria em meados do século I a. C., no início da ocupação romana efectiva.

Origens
O seu nome é de provável origem fenícia, tal como o de outras cidades romanas do sul peninsular, como Gades (Cádis), Baelo (Bolonia), Carteia (San Roque) e Malaca (Málaga).
O primitivo povoado fenício localizava-se em Tavira, no morro de Santa Maria (Figura 3), onde existiu entre os séculos VIII e VI a. C., altura em que foi violentamente destruído.
O sítio chamar-se-ia originalmente B'LŠ[..], correspondendo ao nome de uma divindade fenícia.

O fim da ocupação fenícia provocou um abandono temporário do local, que voltou a ser ocupado em meados do Séc. V, transformando-se então num florescente povoado piscatório, conserveiro, metalúrgico e comercial, ligado ao apogeu do "Círculo do Estreito" e ao período tartésico (assim chamado em honra do mítico reino encontrado pelos navegadores gregos aqui no Extremo Ocidente).
Esse povoado é designado "Tavira turdetana" pelos arqueólogos e correspondeu à fase de Balsa Tartésica.
Na 2ª metade do Séc. IV o sítio sofreu uma série de ataques e profundas destruições, acabando por ser de novo abandonado. Esta fase de violência, que atingiu todo o Golfo de Cádis, marca o fim do período Tartésico e o início da influência cartaginesa.

Após o abandono, o centro do povoamento transfere-se para o sítio do Cerro do Cavaco, um pouco a Norte de Tavira. Neste local, que foi amuralhado, encontraram-se os indícios mais significativos dos séculos III e II a. C., nomeadamente alguns dos vestígios romanos mais antigos do território português. Infelizmente a zona arqueológica foi recentemente destruída, antes de ter sido convenientemente explorada.
A entidade territorial de então, pequeníssimo Estado independente, chamar-se-ia já Balsa, nome por que aparece referida pela primeira vez nas moedas no séc. I a. C.
Pensa-se que Balsa, assim como outras comunidades turdetanas do litoral tenham estado submetidas de algum modo ao poder cartaginês. Permanece obscura a sua relação com os Cónios, povo que dominava o Baixo Guadiana e o Algarve Oriental aquando da chegada dos romanos e que constitui a única entidade política organizada registada nas fontes da época.

Romanização
Pensa-se também que o primeiro enclave portuário romano, no sítio da Torre d’Aires, só tenha sido fundado na sequência da "Guerra dos Piratas" de 67 a. C, comandada por Pompeu Magno.
O seu legado (lugar-tenente) encarregado das operações na área atlântica foi Tibério Nero, pai do imperador Tibério. A parte naval da campanha terá porém estado sob o comando de Lúcio Manlio Torquato. Este e o seu irmão Tito Manlio Torquato, outro comandante de Pompeu, pertenciam a uma antiga estirpe senatorial romana, célebre desde os tempos semilendários do ataque gaulês a Roma, em 387 a. C. Era uma família de almirantes que se distinguiu na 2ª Guerra Púnica e já com interesses na Hispania desde então.
Será a partir desta época que os Manlii expandem esses interesses navais e fundiários na área do Golfo de Cádis, cujas ramificações locais encontraremos em Balsa duzentos anos mais tarde.
Os legados pompeianos terão sido responsáveis, nos anos seguintes, pelas cunhagens de moeda em várias cidades da zona, entre as quais as de Balsa, Ossonoba e Baelo.

Os elementos conhecidos indicam que os balsenses terão tomado o partido de Pompeu Magno na guerra civil que o opôs a César. De facto, a representação de barcos de guerra nas moedas balsenses indicia ter constituido uma força naval auxiliar (isto é, constituída por indígenas não romanos) durante ou após a "Guerra dos Piratas".
Os balsenses integrar-se-iam assim na extensa rede de povos marítimos clientes de Pompeu e dos seus filhos, numa zona que manteve a sua lealdade até à derrota final desse partido.
Os vestígios mais recentes do povoado do Cavaco (a Balsa pré-romana) são desta época. Desconhece-se quando foi abandonado mas é mais provável que o tenha sido por ordem dos legados de César ou de Augusto, tal como sucedeu em muitos outros lugares.
As derrotas de Pompeu por César em 45 a. C. (na batalha de Munda) e, posteriormente, do seu filho Sexto por Marco Agripa e Octávio (Augusto) em 36 a. C. (na batalha naval de Nauloco) foram determinantes para o destino dos balsenses e de inúmeros outros povos e cidades. A comunidade indígena foi reconstituída no novo local romano de Balsa, sob a forma de uma civitas estipendiaria. Esta era a forma romana da servidão tributária, reservada aos indígenas que assumiram uma posição hostil ao partido romano vencedor.

Neste grau mínimo de autonomia, a comunidade sobrevivia devido ao arbítrio e interesse do poder romano, sem direitos políticos, civis e fundiários, regendo-se internamente pelas suas leis ancestrais.
A despromoção a civitas estipendiária, acompanhada da mudança forçada de assentamento para um lugar que se manteve pobre e pequeno até meados do séc. I da nossa Era, revela o castigo dos balsense, sem dúvida originado por uma resistência armada pró-pompeiana. Terá sido uma situação semelhante à então ocorrida nas cidades da Sicília, pelos mesmos motivos.


Thursday, September 14, 2006

Resumo conjectural da evolução urbana

A ausência actual de dados fiáveis permite apenas expôr uma descrição conjectural da evolução ur­ba­nís­tica de Bal­­sa, combinando a história regional com a cronologia dos ves­tígios es­tu­da­dos, os dados só­cio-políticos extraídos da epi­­grafia, as características urbanas reveladas pela topografia e o paralelismo com cidades mais bem conhecidas.

67 - 31 a. C.

Desconhece-se se o morro do porto já seria ocupado por um povoado tur­detano, dependente do Cerro do Cavaco. As condições portuárias e de­fensivas apontam nesse sentido. A emissão de moedas balsenses na época da "monarquia naval" pompeiana, iniciada após a Guerra dos Piratas de 67 a. C., mostra que o sítio já tinha então sido escolhido pelos romanos, como lugar central dos balsenses.

Poderá ter mantido nessa altura uma guar­nição romana, enquanto porto estratégico de uma força au­xi­li­ar aliada, detentora de poderio naval. Poderá também ter sido um sí­tio de as­sentamento de ex-piratas sub­me­ti­dos por Pompeu, tal como se sabe ter acontecido no Mediterrâneo Oriental.

Os vestígios de um fosso, obliterado posteriormente pela pla­taforma do fórum, indiciam a existência inicial, ou de um fortim mi­litar (castellum), ou de uma acrópole indígena, separada do povoado. As dragagens efectuadas em fren­te do local parecem ter revelado muros perpendiculares à costa, com­patíveis com um porto de canal resguardado por mo­lhes.

31 a. C. a finais do séc. I d. C

Na fase estipendiária da cidade o carácter romano da estrutura urbana se­ria incipiente. Ter-se-ia um povoado de cume, provavelmente já sem muralhas, prolongando-se pelas encostas a Sul e com a antiga acrópole ou fortim transformado em fórum cí­vico da comunidade. A fábrica de salga e as termas já existiriam, no arrabalde o­rien­tal.

A partir de Cláudio e da anexação da Mauritânia em 42 d. C., o crescimento da ac­ti­vidade marítima e o padrão de monumentalização da Época, após o grande sismo então ocorrido, devem ter acelerado o desenvolvimento das estruturas por­tuá­rias comerciais e a ro­ma­ni­zação das estruturas urbanas pré-existentes.

Fim séc. I d. C. e séc. II
O maior crescimento urbano ter-se-á iniciado no reinado de Domiciano (81 a 96 d. C.), como consequência da concessão do direito latino. Será então que a cidade adquire a sua lei municipal e se procede à criação de to­­da uma cidade nova, traçada em moldes plenamente romanos. Esta de­­veria con­gre­gar a nova comunidade latina, justapondo-a à antiga ci­­dade indígena (pe­re­gri­na, isto é, não ro­ma­na). Será um exemplo de dipolis, ou seja, uma cidade dupla for­­mada pela u­nião de duas comunidades.

A grande influência estrangeira notada em Balsa (nomeadamente nor­te-africana, mas também grega) poderá dever-se, em grande parte, aos “co­lonos” imigrados nesta conjuntura para usufruírem do direito la­tino em Balsa. A lei municipal terá regido a di­visão cadastral da terra, cujos vestígios são nu­me­ro­sos.

A mu­ni­ci­pa­li­zação latina seria assim levada a cabo segundo moldes co­lo­ni­ais, pre­­via­men­te utilizados na Gália e, pos­te­ri­ormente, em África. Os elementos edificados já identificados devem proceder desta É­­poca, com provável excepção do circo Oriental. O fórum pri­mitivo as­­­socia-se à epigrafia cívica conhecida e o novo fórum à única re­fe­rên­­cia epigráfica ao culto imperial. É provável que o pri­meiro tenha con­tinuado como centro cívico da civitas enquanto que o segundo terá servido de sede às manifestações desse culto, igual­men­te associado ao teatro, de modo semelhante ao que parece ter sucedido em Italica com o cham­ado Traianeum.

Datará desta época o sistema de abastecimento urbano de água, com uma represa no local da actual praça da Luz de Ta­vi­ra. Daqui partiria um aqueduto, cujas marcas topográficas indiciam ter-se dividido em três ou cinco ramais, para os fóruns velho e novo, para as termas e para as duas fábricas de salga. A nascente identifica-se uma pla­taforma elevada, terminada num pa­redão semicircular, onde pode ter e­xis­ti­do um templo de modelo africano, como os de Thugga (na Tunísia actual), dedicado a Saturno ou a Caelestis.

O lugar de achamento das lápides de doação do pódio do circo é com­pa­tível com a sua localização sobre a ilha-barreira então existente.

Séc. IV em diante
O abandono da fábrica de salgas da Torre d'Aires (e de uma casa próxima, transformada em concheiro/ vazadouro) na primeira metade do séc. III e as colunas e capitéis achados tombados per­mi­tem estabelecer um paralelo com Baelo, su­ge­rindo que Balsa terá também sofrido com os grandes sismos ocorridos nesta época. É provável que os e­di­fícios monumentais não voltassem a ser re­cons­truí­dos e que o porto tenha sofrido graves destruições, assim co­mo o provável circo litoral.

Só na 2ª metade do séc. III se reactiva a fábrica de sal­gas. Nesta altura é já pouco provável que os curiais (no­táveis) de Balsa ainda residissem no centro urbano. Este deve ter permanecido como centro fiscal e cívico e o hipódromo do Arroio poderá ser deste período.

O mai­or desenvolvimento da indústria de conservas e as­so­ciadas decorrerá nesta fase, multiplicando-se as ce­tá­rias por toda a orla ribeirinha, inclusive sobre antigas áreas urbanizadas e portuárias desactivadas.

No séc. IV Balsa deverá ter acompanhado a ruína ob­ser­­vada em Gades e Baelo, permanecendo pro­va­vel­men­te apenas como sede de circunscrição fiscal do seu am­­plo território. A actividade de navegação de longo cur­­so devia então já concentrar-se em Ossonoba. Durante o Baixo Império, ou posteriormente, formou-se a necrópole das Antas, sobre zonas previamente urbanizadas. Pode corresponder a uma fase de renucleação do habitat, pós-urbana, cujos centros mais prováveis seriam as zonas dos antigos fóruns.

Cidade e subúrbios

Balsa aparece constituída pela justaposição de três partes urbanas, definidas pelos seus sistemas de arruamentos próprios, ar­ti­cu­la­das entre si por eixos transversais que percorrem toda a extensão da cidade.

A parte nascente, constituída pelo planalto da Torre d'Aires e zonas anexas, em que se inclui o porto, tem o seu centro no fórum/acrópole respectivo, junto ao qual se desenha o mais importante nó viário da cidade, origem da vias que se orien­tam segundo os três destinos dominantes (Ossonoba, Pax Iulia e Baesuris) e o vale d'Asseca.

A parte central, que engloba as Antas, apresenta um programa urbanístico tipicamente romano, descrito no mapa anterior.

O cardo, eixo principal meridiano, estrutura todo o espaço urbano prolongando-se para Norte de modo a formar o eixo de si­metria de dois caminhos ou limites, com os quais forma um vértice.

Estes caminhos, de traçado rigoroso que denuncia uma obra topográfica, definem uma co­roa urbana que ultrapassa o pomério (limite urbano, que foi aproximadamente reconstituído), incluindo necrópoles e demais áreas e estruturas periféricas. Formariam um provável limite da cir­cuns­cri­ção suburbana (ager suburbano, por oposição ao ager rústico exterior), servindo talvez já então de via circular periférica que con­tornava a cidade pelo Norte.

A parte oriental é marcada pelo relevo do alto da Xareca, cuja escarpa nascente obriga as vias de acesso a contorná-lo pe­lo Norte, gerando um sistema próprio de orientação do parcelário.

A posição periférica e a malha larga da rede de aces­sos, assim como a raridade de vestígios topográficos de construções indiciam uma zona de menor densidade urbana, área de concentração provável das domus mais abastadas, localizadas em talhões mais extensos.

Os vestígios fósseis do cadastro rural permitem reconstituir o nó de articulação entre a cidade e o campo centuriado, ponto central donde divergem diversas vias e onde pro­va­vel­men­te o aqueduto principal se dividia em várias con­du­tas.


Plano urbano

Marcas de orientação topográficas e arqueológicas permitem delimitar cinco bairros de traçado coerente e re­cons­ti­tuir uma trama de arruamentos e vias de travessia urbana. Uma grande área de arruamentos per­pen­di­cu­la­res é notável pelo rigor do seu traçado topográfico, de características hipodâmicas ainda bem patentes em limites ac­tuais.

O complexo resultante, apesar de zonas que permanecem obscuras, representa um palimpsesto bastante com­pleto da forma urbana, e constitui uma base rica e sugestiva para propostas de delimitação das zonas urbanas e de faseamento da evolução territorial da cidade.

A nota do mapa indica as medidas encontradas para os quarteirões urbanos, que confirmam a sua origem romana.

Barragem e bacia de captação

À esquerda, detalhe da reconstituição da zona da barragem e represa, de pequenas dimensões, que se destinaria sobretudo a reserva e decantação.

O sítio da barragem foi identificado por uma descontinuidade altimétrica local, sob a actual EN 125, e pela forma característica, que quebra a regularidade da malha do cadastro romano.

Trata-se, além disso, do ponto onde a extrapolação de uma vala fóssil de aqueduto, detectada topograficamente, intersecta a ribeira.

O subsolo da actual praça da Luz revelou ser composto de lamas e aluviões compactados, compatíveis com um antigo fundo alagado. Mostra-se o local da primitiva nascente do Rocio, junto ao entroncamento da via romana e à travessia da ribeira, lugar provável de fontanário ou ninfeu, antepassado remoto da igreja da Luz.

À direita mostra-se o conjunto da bacia de captação, com destaque para a grande charca natural, com cerca de 200 ha, existente até meados do Séc. XIX sobre planissolos impermeáveis. Até ter sido drenada foi responsável pela existência de malária epidémica em toda a zona da Luz de Tavira.

Abastecimento de água

Diversos indícios fundamentam um modelo de abastecimento de água corrente à área urbana.

Uma grande bacia natural a Norte, numa zona de solos impermeáveis, captava água, ligada a uma pequena albufeira de decantação represada por uma barragem, situadas no lugar da actual praça da Luz de Tavira.

A água era então transportada por um aqueduto, que se dividia em vários ramais (aparentemente de 3 a 5). Estes abasteciam directamente os principais pontos de consumo (termas, fábricas de salga, porto, etc.), sendo as restantes zonas abastecidas a partir de centros de depósito e distribuição, situados no topo das encostas.

Nesta fase final da rede, a água circulava em canos cerâmicos e de chumbo.

A parte hipodâmica da cidade (com arruamentos perpendiculares entre si) possuía uma rede de esgotos subterrânea, que acompanhava provavelmente o traçado das ruas.

Existiam ainda duas nascentes importantes, podendo ter havido outras. Uma delas, no flanco da acrópole da Torre d'Aires, destinar-se-ia à aguada portuária, sendo provavelmente uma das principais fontes de abastecimento do povoado primitivo, antes da construção do sistema canalizado.

Reconstituição da orla costeira

Indicam-se os sítios aproximados do achamento de muros submersos c e das lápides do circo b. Mostra-se a localização do porto exterior PX e interior PI, separados pe­lo molhe artificial.

A ilha-barreira é reconstituída conjecturalmente sobre os ban­cos de sapal que dividem os dois canais da ria. Era a sua localização em 1634, quando Pe­dro Texeira desenhou a barra de Tavira, desaparecendo muito pro­va­vel­men­te com o tsunami de 1755 para se reconstituir posteriormente na po­si­ção actual, mais dis­tan­te de terra.

Mostra-se a reconstituição da linha de costa antiga e das áreas antigamente alagadas ou submersas.A posição da barra antiga é conjectural, não devendo estar porém mui­to longe da posição indicada, justificando-se assim a construção do referido molhe.

Wednesday, September 13, 2006

Restituições Topográficas

A combinação de marcas fotogramétricas, da forma do terreno e do tipo de espólios arqueológicos levaram à identificação de 16 estruturas urbanas, na sua maioria desconhecidas até agora. Algumas permitem contextualizar no espaço urbano sítios arqueológicos que permaneciam funcionalmente indefinidos.

- Destaca-se a identificação de dois fóruns, definidos pelas suas esplanadas T9 e T10,
- contendo uma delas o teatro T5.
- Identifica-se também o circo T8,
- uma base de importante edifício T11 (talvez um templo),
- um molhe portuário T6,
- o porto interior T7,
- parte de uma via decúmana T12,
- um bairro T13,
- uma villa suburbana T4
- prováveis monumentos de águas T14,
- praça T3,
- complexo circular T2
- e anfiteatro T1.
- T15 e T16 são necrópoles também localizadas arqueologicamente, cujos limites de exploração foi possível definir mais precisamente.

Tuesday, September 12, 2006

Morfologia do terreno e da orla costeira


O estudo do terreno permitiu reconstituir transformações artificiais atribuídas à Época Romana e propor hipóteses fundamentadas sobre a linha de costa antiga e a localização do porto e da barra.

A caracterização das marcas mais antigas foi feita após identificação e eliminação das mais recentes, provocadas por trabalhos agrícolas e pela acção da erosão e de aluimentos das falésias.

Marcas fósseis mostram plataformas semi-artificiais, taludes, muros de suporte, fossos e condutas de água antigas. Fornecem igualmente elementos rigorosos sobre a regressão do nível do mar (que terá baixado um pouco menos de 1 m desde então) e sobre a colmatação de antigos esteiros marinhos (que alcançavam zonas hoje com cotas de 4-5 m). Estes valores são compatíveis com outros recolhidos em vários pontos do Algarve e da costa da província de Huelva.

A linha de costa foi restituída localmente a partir de uma extensa linha de taludes com sinais de acção marinha. Ela foi calibrada por vestígios remanescentes de cetárias, situadas abaixo do nível do cais, e pelo nível do mosaico na base da escarpa da Xareca. Este pertenceria provavelmente a um cais porticado, junto à escadaria que o ligava à plataforma superior.

Sunday, September 10, 2006

Marcas romanas: fotogrametria e cadastro


Uma série de fotografias aéreas, tiradas entre 1958 e 2000, permite identificar numerosos e importantes vestígios da estrutura urbana, nomeadamente marcas de alicerces, caminhos fósseis e formas geométricas de complexos desaparecidos. Os fotogramas mais antigos, com mais vestígios mas menor resolução, são parcialmente compensados pelos mais recentes, posteriores às grandes destruições ocorridas no período de 1978 a 1982 mas bastante mais detalhados. Os limites cadastrais actuais e dois modelos digitais do terreno complementam os recursos utilizados na reconstituição urbana, que recorreu também a fontes corográficas, mapas e observações directas do terreno.
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